Guaratuba e Bicicleta. Combina?

Ciclomobilidade: Forma de viver que privilegia a vida e a cidade!!

Começaremos esse texto parafraseando o Plano Diretor da nossa cidade. Nele está assim citado, na página nº 81, “O tema de ciclomobilidade vem sendo discutido cada vez mais na sociedade brasileira e já é uma realidade desenvolvida em países industrializados. As vantagens de implantação e investimento em modais de transporte alternativos ao transporte individual motorizado são inúmeras…”. Uma cidade plana, com clima ameno, com período do ano com secas e outro período com chuvas bem definidas, fica a minha dúvida de o porquê de termos tão poucas ciclovias.

Do Coroados ao centro, são 10 km, algo em torno de 25 a 35 minutos pedalando, sem ciclovia ou alguma sinalização que dê segurança ao ciclista. Do centro ao Mirim, algo em torno de 6 km, além da falta de sinalização, ainda existe um espaço ocioso entre a rua e a calçada, um espaço onde ficam os buracos, as poças de água e os entulhos, um espaço que com uma simples reforma faria uma diferença enorme para os moradores do Mirim que usam a bicicleta no seu dia-a-dia.

A Nicolau Abagge talvez seja o problema mais grave, a rua mais perigosa para os que usam da bicicleta para sua locomoção. Uma rua relativamente estreita, que tem carros estacionados dos dois lados durante todo o horário comercial, onde mal cabem três carros e uma bicicleta. O ciclista tem que raspar o guidão no retrovisor dos carros estacionados e torcer para que não seja atingido por trás por algum carro. E não me diga que o ciclista deve ir para a calçada, nossas leis de trânsito dizem claramente que a bicicleta tem que andar na rua, dividindo espaço com os carros.

Se fosse para fazermos um bolão onde aconteceria um acidente grave com bicicleta em Guaratuba, eu apostaria fácil na Nicolau Abagge, deixando a Tiradentes em segundo e a Av. Paraná em terceiro.

Uma cidade com um grande número de moradores que usam diariamente a bicicleta, uma cidade que tem eventos que envolvem a bicicleta (vide o triathlon) e uma cidade com grande fluxo de turistas que usam a bicicleta para lazer e não conta com ciclovias decentes para deslocamento urbano é um descaso. É deixar de aproveitar uma geografia favorável para trazer facilidades aos moradores, é botar em risco os ciclistas que trafegam à noite pela Avenida Paraná, que nem com iluminação contam, é perder a oportunidade de unir Coroados, Caieras, Centro e Mirim e todos os demais bairros da cidade através de uma ciclovia, dando a oportunidade do turista se locomover de forma saudável e deixando o carro de lado, é não valorizar os trabalhadores que dependem da bicicleta para chegar até o seu posto de trabalho.

Falar sobre bicicletas e ciclomobilidade é muito fácil, pois são inúmeros os benefícios, tanto para o ciclista quanto para a cidade, porém não falaremos nisso. Falarei que no Plano Diretor existe a proposição da construção de mais 57,4 Km e que apenas 9,9 Km existentes, mas que nem são tão existentes assim.

Investir em ciclovias é investir em esporte, educação, segurança, mobilidade urbana, é trazer alternativas para os turistas e facilidade para os moradores.

O mundo já conhece as vantagens das bicicletas. Guaratuba pelo jeito também, mas quando começaremos a ver alguma mudança nesse sentido em nossa cidade? Quando pedalaremos em segurança? Com ciclovias seguras e planejadas?

 

Ass: O Estuário

Março de 2019

 

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